Ele ficava sozinho em seu quarto durante a tarde inteira. E a
noite. E novamente. Ia à cozinha uma vez ou outra para beliscar. Às vezes lia
um livro, ou entrava em redes sociais. “Sociais”. Ele se sentia mais solitário
nela do que qualquer outra coisa. Não conversava com ninguém. Assistia a
seriados ou lia séries para se conectar com pessoas, algo que ele necessita já
que em seu mundo real é escasso. Sua família é confortável, mas inexiste algo
que ele nunca teve de verdade e que precisava: um AMIGO.
É claro que ele tinha. Só que não havia algum em que estava ao seu lado para tudo. Ele sempre era coadjuvante. Seus amigos combinavam coisas sem ele, só pelo fato de ser considerado comum e menos importante.
Seus fluxos de pensamento corriam pela sua mente, e permaneciam ali. Não eram
expostos. Tímido, retraído, carente de compreensão. O mundo andava com suas
atividades, sem ele. Ele chorava porque queria enturmar, queria sentir que era
especial. Ele se forçava a conversar com as pessoas, e sempre era assim.
Valorizava todos que estavam ao seu redor e, ainda assim, não havia melhora.
Correndo atrás deles; ele nunca era procurado. Por causa disso, ninguém notava
seus conflitos.
Certa vez, a exclusão foi tanta, que pegou uma faca e cortou
seu braço, colocando a culpa em si mesmo e se perguntando se sentiriam sua
falta se não existisse mais naquele espaço. “O que há de errado comigo?”. No
final, se arrependeu. Solidão desestruturou-o. Incomodou-o ao extremo. Desequilibrou-o,
internamente. Isso trouxe conseqüências externas. Um pedido de socorro silencioso.
Talvez, em uma nova etapa de sua vida, ele conheça um grupo
que o acolha e torne-o protagonista, algo que ele nunca foi. Que o socorra e
salve daquela agonia. Até lá, suas marcas continuarão ascendendo em seu corpo.

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